
{"id":1862,"date":"2016-11-04T12:30:52","date_gmt":"2016-11-04T12:30:52","guid":{"rendered":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/?p=1862"},"modified":"2016-11-11T10:04:39","modified_gmt":"2016-11-11T10:04:39","slug":"o-jogo-da-improvisacao-por-julio-siqueira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/?p=1862","title":{"rendered":"O Jogo da Improvisa\u00e7\u00e3o (Por Julio Siqueira)"},"content":{"rendered":"<div class=\"_h8t\">\n<div class=\"_5wd9\">\n<div class=\"_5wde _n4o\">\n<div class=\"_5w1r _3_om _5wdf\">\n<div class=\"_4gx_\">\n<div class=\"_d97\"><span style=\"color: #808080;\"><em><strong><span class=\"_5yl5\">Em 2016, lan\u00e7aram o \u00e1lbum &#8220;Ant\u00edtese&#8221;, que al\u00e9m de aprofundar algumas propostas do primeiro trabalho, como a diversidade de timbres e o formato n\u00e3o-standard, tamb\u00e9m percorre novos e diversos caminhos ao atuar com can\u00e7\u00f5es que interagem tanto com jogos de improvisa\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnicas contrapont\u00edsticas, influ\u00eancias da m\u00fasica mineira dos anos 1970 e tamb\u00e9m do rock. Os dois m\u00fasicos conversaram com o Guitar Experience para falar um pouco de seus dois \u00faltimos trabalhos, \u201cNovos Caminhos\u201d lan\u00e7ado em 2015 e \u201cAntitese\u201d que chegou ao mercado em 2016.<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em><a href=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/antitese_home.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1874\" src=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/antitese_home-300x300.jpg\" alt=\"antitese_home\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/antitese_home-300x300.jpg 300w, http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/antitese_home-150x150.jpg 150w, http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/antitese_home.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Como voc\u00eas se conheceram e como surgiu a ideia do duo?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Convidei o Rodrigo para formar o duo em outubro de 2013.<\/p>\n<p>Sempre gostei de tocar dessa forma. Durante a primeira fase da Venegas Music TV\u00a0(programa feito para a web que apresentei, em sua primeira fase, entre julho de\u00a02008 e julho de 2012) pude tocar bastante neste formato com diversas pessoas\u00a0diferentes, tais como Heraldo do Monte, Nelson Faria, Luciano Magno, Arismar do\u00a0Esp\u00edrito Santo, entre muitos outros. A partir destas experi\u00eancias, pensei em\u00a0desenvolver esta ideia com mais profundidade, trabalhando m\u00fasicas pr\u00f3prias e\u00a0desenvolvendo arranjos espec\u00edficos para elas. Em um primeiro momento, trouxemos\u00a0para o duo algumas m\u00fasicas que j\u00e1 existiam, depois de um certo tempo, passamos\u00a0a compor diretamente para esta forma\u00e7\u00e3o, buscando resolver os problemas que\u00a0eventualmente o trabalho somente com duas guitarras ac\u00fasticas pode acarretar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>E quanto ao estilo de tocar, quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre voc\u00eas?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius<\/strong>: Um ponto que me parece relevante \u00e9 que costumo ter mais\u00a0intimidade com os arranjos em bloco, talvez pelo fato de ter estudado viol\u00e3o por um\u00a0bom tempo paralelamente aos estudos guitarr\u00edsticos. Gosto de utilizar diferentes\u00a0t\u00e9cnicas para \u201cChord Melody\u201d e apliquei este tipo de expediente em v\u00e1rios\u00a0momentos nas grava\u00e7\u00f5es do duo. No primeiro trabalho, \u201cNovos Caminhos\u201d, poderia\u00a0citar a pe\u00e7a solo \u201cSente o Sete\u201d, no segundo disco, algo parecido acontece com o\u00a0come\u00e7o de \u201cTema pro Cagua\u00e7u\u201d. No terceiro trabalho, teremos outros exemplos\u00a0disso que estou citando. Gosto tamb\u00e9m de pensar de forma mais horizontal no\u00a0bra\u00e7o do instrumento, muitas vezes utilizando apenas uma ou duas cordas. Seria,\u00a0de certa forma, uma influ\u00eancia dos materiais de Mick Goodrick e John Abercrombie\u00a0que estudei anteriormente, e que acabaram me influenciando bastante. Gosto da\u00a0uniformidade timbr\u00edstica que acaba acontecendo quando tocamos uma melodia em\u00a0apenas uma corda, al\u00e9m do fato de que o pensamento mel\u00f3dico acaba fluindo por\u00a0outros caminhos: quando utilizamos apenas uma corda, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel recorrer a\u00a0padr\u00f5es ou frases de bebop, o pensamento acaba sendo muito mais musical, na\u00a0minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Acredito que somos completamente diferentes ao tocar. Cada um\u00a0tem um jeito bastante particular e com sutilezas pr\u00f3prias. Toco de forma mais dura e\u00a0seca o que interfere no meu timbre. Procuro me arriscar um pouco mais nos\u00a0improvisos o que pode dar certo ou n\u00e3o , j\u00e1 que segundo o compositor canadense\u00a0Raymond Murray Schafer, \u201c&#8230; estamos errados ao esperar sempre uma execu\u00e7\u00e3o\u00a0perfeita numa improvisa\u00e7\u00e3o\u201d. Gosto de gravar com microfones na frente da guitarra,\u00a0pois assim, tenho uma sonoridade bem peculiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Voc\u00eas est\u00e3o lan\u00e7ando um CD chamado \u201cAnt\u00edtese\u201d, que, diga-se\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>de\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>passagem, eu j\u00e1 ouvi v\u00e1rias vezes. Parab\u00e9ns! O disco tem melodias e\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>harmonias muito bonitas, voc\u00eas tiveram muito bom gosto na hora de compor.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Eu gostaria que voc\u00eas nos contassem um pouco sobre esse processo, de\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>onde vieram as ideias e inspira\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> \u00c9 sempre complicado relacionar elementos musicais com\u00a0situa\u00e7\u00f5es ou sensa\u00e7\u00f5es. Acredito tratar-se\u00a0de algo bem arbitr\u00e1rio. Em \u201cO Belo\u00a0Musical\u201d, Eduard Hanslick j\u00e1 discutia sobre este tipo de quest\u00e3o em meados do s\u00e9c.\u00a0XIX. De qualquer forma, alguns dos t\u00edtulos s\u00e3o inspirados em situa\u00e7\u00f5es reais. Por\u00a0exemplo, \u201cFa\u00e7a-se\u00a0a luz\u201d foi feita em um dia em que fiquei sem energia no meio da\u00a0tarde e num momento em que estava com um monte de pend\u00eancias para resolver.<\/p>\n<p>Resultado: n\u00e3o consegui resolver nenhuma destas pend\u00eancias, rs&#8230;. A \u00fanica coisa\u00a0poss\u00edvel, com o pouco de luz do dia que ainda restava, era pegar a guitarra ac\u00fastica\u00a0e estudar alguma coisa. Escrevi este tema assim, com a guitarra desligada, caderno\u00a0e l\u00e1pis.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Tanto o \u00e1lbum \u201cAnt\u00edtese\u201d como o \u201cNovos Caminhos\u201d foram o\u00a0resultado de um ano de preparo cada um. Neste per\u00edodo ensaiamos semanalmente\u00a0e testamos v\u00e1rios elementos nas m\u00fasicas. Os arranjos se transformam a cada vez\u00a0que tocamos as pe\u00e7as at\u00e9 que chega a hora de \u201cfotografar\u201d o momento em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>As ideias surgem naturalmente e vamos as experimentando e vendo o que funciona\u00a0ou n\u00e3o. Quanto a isso o duo consegue trabalhar bem o fato de algumas ideias\u00a0serem aproveitadas e outras descartadas.<\/p>\n<p>Sobre as inspira\u00e7\u00f5es existem dias que estamos mais afim de tocar e compor e\u00a0outros nem tanto. Isso \u00e9 normal. No meu caso as m\u00fasicas surgem do nada e em\u00a0momentos diversos. N\u00e3o existe um padr\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong><a href=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/duo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1870 alignright\" src=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/duo-300x174.jpg\" alt=\"duo\" width=\"300\" height=\"174\" srcset=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/duo-300x174.jpg 300w, http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/duo.jpg 551w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Tanto o \u201cAnt\u00edtese\u201d como o \u201cNovos Caminhos\u201d que foi o primeiro disco s\u00e3o\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>bem ecl\u00e9ticos, as m\u00fasicas caminham por v\u00e1rios estilos diferentes, isso foi\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>proposital?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> N\u00e3o foi algo proposital, por\u00e9m conforme as m\u00fasicas foram\u00a0surgindo, fomos percebendo as principais tend\u00eancias: algumas m\u00fasicas possuem\u00a0grande influ\u00eancia da m\u00fasica mineira dos anos 1970, mais exatamente do \u201cClube da\u00a0Esquina\u201d, tais como \u201cNove Horas\u201d, \u201cFa\u00e7a-se\u00a0a luz\u201d, outras t\u00eam como refer\u00eancia\u00a0m\u00fasicos como Derek Bailey, como em \u201cAnt\u00edtese\u201d e \u201cSuite #1(For Derek Bailey)\u201d. Em\u00a0outros momentos utilizamos f\u00f3rmulas de compasso pouco usuais, como em \u201cNovos\u00a0Caminhos 2\u201d e \u201cFritando Panqueca\u201d. Assim, conforme fomos ensaiando as pe\u00e7as,\u00a0percebemos que algumas destas tend\u00eancias eram recorrentes, mas certamente n\u00e3o\u00a0foi algo planejado.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> As composi\u00e7\u00f5es surgem naturalmente e no caso do duo n\u00e3o\u00a0existe uma preocupa\u00e7\u00e3o de fazer obras pensando neste ou naquele g\u00eanero e estilo.<\/p>\n<p>Elas simplesmente saem. No entanto, procuramos n\u00e3o fazer um disco que soe\u00a0mon\u00f3tono no sentido pejorativo desta palavra, pois existem g\u00eaneros que o s\u00e3o\u00a0assim por ess\u00eancia como o minimalismo ou new age, por exemplo, e s\u00e3o muito\u00a0interessantes. Gostamos de coisas diversas e procuramos isso ao escutar os\u00a0nossos \u00e1lbuns gravados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Al\u00e9m\u00a0disso, voc\u00eas tamb\u00e9m experimentam muito, o tema que d\u00e1 nome ao\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>disco \u201cAnt\u00edtese\u201d ou Contrastes do \u201cNovos Caminhos\u201d, por exemplo, tem uma\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>mescla de sons bem diferentes, de onde veio essa ideia?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Esta influ\u00eancia vem de experimenta\u00e7\u00f5es realizadas por m\u00fasicos\u00a0que ouvimos como o guitarrista ingl\u00eas Derek Bailey, por exemplo. O segundo\u00a0movimento da \u201cSuite for Derek Bailey\u201d, obra do Ivan e dedicada ao m\u00fasico citado,\u00a0usa exatamente a t\u00e9cnica de harm\u00f4nicos muito comum neste pioneiro da\u00a0experimenta\u00e7\u00e3o livre na guitarra ac\u00fastica. No caso da \u201cAnt\u00edtese\u201d \u00e9 um jogo de\u00a0improvisa\u00e7\u00e3o e na \u201cContrastes\u201d, j\u00e1 \u00e9 uma improvisa\u00e7\u00e3o mais solta e sem regras\u00a0demarcat\u00f3rias. Os jogos de improvisa\u00e7\u00e3o possuem uma rela\u00e7\u00e3o de anti tese com as\u00a0m\u00fasicas de influ\u00eancia mineira e as demais obras na onda do \u00e1lbum \u201cNovos\u00a0Caminhos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Como\u00a0\u00e9 o processo de grava\u00e7\u00e3o de voc\u00eas? Como voc\u00eas definem quem \u00a0<\/strong><\/em><em><strong>toca o que?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Gravamos tanto \u201cNovos Caminhos\u201d quanto \u201cAnt\u00edtese\u201d\u00a0totalmente ao vivo e juntos, por\u00e9m em salas separadas. Dessa forma, existe uma\u00a0intera\u00e7\u00e3o real durante a grava\u00e7\u00e3o, pois estamos realmente ouvindo um ao outro. O\u00a0som da minha guitarra tem muito mais presen\u00e7a do amplificador microfonado,\u00a0enquanto que o som do Rodrigo utiliza muito mais o som da guitarra microfonada.<\/p>\n<p>Dessa forma, ao contr\u00e1rio da maioria dos duos desse tipo, que t\u00eam a uniformidade\u00a0como foco, buscamos o contraste timbr\u00edstico como caracter\u00edstica. Com rela\u00e7\u00e3o aos\u00a0arranjos, esse \u00e9 um processo de vem de muito antes da grava\u00e7\u00e3o: antes de chegar\u00a0no est\u00fadio, passamos um bom tempo experimentando ideias e fazendo altera\u00e7\u00f5es\u00a0se necess\u00e1rio. Acreditamos que o processo de ensaio com regularidade \u00e9 muito\u00a0importante para o amadurecimento da nossa sonoridade e tamb\u00e9m para quepossamos desenvolver bastante a qualidade da execu\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas. Dessa\u00a0forma, as sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o t\u00eam sido bastante r\u00e1pidas, o que na minha opini\u00e3o\u00a0contribui bastante para que possa ser tirada a mais fiel \u201cfoto\u201d daquele momento do\u00a0duo.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Ao gravarmos pensamos na diferen\u00e7a timbr\u00edstica. Para isso\u00a0ficamos em salas separadas para que n\u00e3o haja vazamentos. Minha sonoridade vem\u00a0da mistura de som de amplificador microfonado, mais linha e microfones na frente\u00a0da guitarra. Estes \u00faltimos sendo o principal na defini\u00e7\u00e3o do timbre. Isso para alguns\u00a0pode causar uma confus\u00e3o ao pensarem que se trata de um viol\u00e3o com\u00a0encordoamento de a\u00e7o. Muitos guitarrista j\u00e1 gravaram assim como Joe Pass, Derek\u00a0Bailey, Bir\u00e9li Lagr\u00e8ne e outros mais. Gosto desta proposta e me sinto bem tocando\u00a0com este som, mas ao gravar desta maneira, se assume a possibilidade de junto\u00a0com as notas virem alguns ru\u00eddos indesej\u00e1veis devido ao grande n\u00famero de\u00a0microfones para captar o som natural do instrumento. Exemplo disso \u00e9 a minha\u00a0respira\u00e7\u00e3o presente em v\u00e1rios solos improvisados, movimenta\u00e7\u00f5es de cadeira,\u00a0tapas que o Ivan d\u00e1 na guitarra ao tocar, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong><a href=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/IMG_0150.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1867\" src=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/IMG_0150-300x200.jpg\" alt=\"img_0150\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/IMG_0150-300x200.jpg 300w, http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/IMG_0150-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O primeiro disco tem alguns temas com refer\u00eancias femininas, \u201cTema para\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>Pietra\u201d, \u201cValsa para Ana\u201d, \u201cMinha Nen\u00e9m\u201d e \u201cMulher Brava\u201d. Por que, elas\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>ficaram de fora do disco novo?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> A \u201cValsa para Ana\u201d fiz como uma homenagem para a minha\u00a0m\u00e3e, Ana Nilce. Comecei a escrever ela por volta de 2003, se n\u00e3o me engano, mas\u00a0fui terminar o arranjo para o \u201cIvan Barasnevicius trio\u201d por volta de 2010. Isso \u00e9\u00a0comum, determinados arranjos demoram um pouco para serem conclu\u00eddos \u2026.\u00a0(risos). Posteriormente, achei que deveria fazer um arranjo para tocar em duo, pois\u00a0me parece que ela funciona muito bem neste formato. \u00c9 uma composi\u00e7\u00e3o que gosto\u00a0bastante de tocar com o duo, pois possui mudan\u00e7as r\u00e1pidas de acordes, o que torna\u00a0a improvisa\u00e7\u00e3o uma tarefa n\u00e3o muito f\u00e1cil, mas altamente estimulante. J\u00e1 havia\u00a0gravado esta m\u00fasica no primeiro disco do \u201cIvan Barasnevicius Trio\u201d, \u201cS\u00edntese\u201d,\u00a0lan\u00e7ado em 2012, mas sempre gostei de tocar ela com apenas duas guitarras.<\/p>\n<p>A faixa \u201cTema para Pietra\u201d foi feita no in\u00edcio de 2014. Fiz essa m\u00fasica para a minha\u00a0filha, que nasceu nesse mesmo ano. Curiosamente, comecei esta composi\u00e7\u00e3o pela\u00a0parte B. Pensei em fazer algo inspirado em algumas faixas que gosto bastante do\u00a0Clube da Esquina, tais como \u201cTudo o que voc\u00ea podia ser\u201d e \u201cClube da Esquina n\u00b0 2\u201d\u00a0e que s\u00e3o bastante importantes na minha forma\u00e7\u00e3o enquanto m\u00fasico. Ou seja, a\u00a0base lembrando um viol\u00e3o de a\u00e7o sendo utilizado de forma bastante r\u00edtmica e uma\u00a0melodia simples, at\u00e9 r\u00fastica de certa maneira, mas que fosse muito cant\u00e1vel. A\u00a0parte A, mais \u201cfunkeada\u201d foi feita para que soasse bastante contrastante com\u00a0rela\u00e7\u00e3o ao B e \u00e9 composta por uma melodia cheia de pausas e \u201cblue notes\u201d.<\/p>\n<p>Mas tanto ter inclu\u00eddo estas duas pe\u00e7as com refer\u00eancias femininas em \u201cNovos\u00a0Caminhos\u201d como o fato de isso n\u00e3o ter se repetido em \u201cAnt\u00edtese\u201d foram coisas\u00a0naturais, e n\u00e3o algo pr\u00e9estabelecido.<\/p>\n<p>Entretanto, uma nova pe\u00e7a com este tipo de\u00a0refer\u00eancia ser\u00e1 gravada no terceiro disco: \u201cD\u00e9bora\u201d, uma pe\u00e7a onde uso a guitarra\u00a0ac\u00fastica de forma mais violon\u00edstica e com uma afina\u00e7\u00e3o diferente, do grave pro\u00a0agudo: DADGBD.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Esta \u00e9 uma das v\u00e1rias anti teses presentes no \u00e1lbum \u201cAnt\u00edtese\u201d.<\/p>\n<p>Em \u201cNovos caminhos\u201d houveram algumas homenagens \u00e0 mulheres importantes na\u00a0vida do duo. No caso de \u201cMinha Nen\u00e9m\u201d e \u201cMulher Brava\u201d ao escrev\u00ealas,\u00a0dediquei\u00a0\u00e0 minha esposa que j\u00e1 me inspirou a compor v\u00e1rias m\u00fasicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Uma coisa que sempre me deixa curioso \u00e9 o nome dos temas para m\u00fasica\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>instrumental, voc\u00eas podem falar um pouco sobre o processo de dar nomes \u00e0s\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>musicas?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Para citar alguns exemplos das minhas pe\u00e7as, os nomes\u00a0podem refletir a situa\u00e7\u00e3o em que a pe\u00e7a foi composta: Por exemplo, no caso de\u00a0\u201cNove horas\u201d, estava caminhando em dire\u00e7\u00e3o ao trabalho num dia ensolarado \u00e0s\u00a0nove da manh\u00e3 e pensando em fazer na estrutura de uma m\u00fasica com o compasso\u00a0de nove tempos. J\u00e1 no jogo de improvisa\u00e7\u00e3o \u201cCrossfades\u201d o t\u00edtulo reflete a regra\u00a0principal do jogo: fazer uma s\u00e9rie de crossfades, por\u00e9m tocando de verdade, n\u00e3o se\u00a0trata de manipula\u00e7\u00e3o no est\u00fadio. O primeiro prop\u00f5e uma id\u00e9ia musical e o outro<\/p>\n<p>deve responder com outra totalmente contrastante, subindo o volume aos poucos,\u00a0enquanto o primeiro aos poucos vai diminuindo. J\u00e1 \u201cSuite #1 (For Derk Bailey)<\/p>\n<p>trata-se\u00a0de uma sequ\u00eancia de tr\u00eas movimentos onde busquei aplicar algumas das\u00a0t\u00e9cnicas n\u00e3o convencionais utilizadas por este guitarrista, que gravou mais de 100\u00a0discos.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Tratandose\u00a0de m\u00fasica instrumental este processo \u00e9 sempre\u00a0subjetivo. Ao decidir os nomes procuro uma palavra ou express\u00e3o\/frase que tenha a\u00a0ver com o momento em que a obra foi concebida e isso \u00e0s vezes gera alguns\u00a0nomes incomuns como \u201cFritando panqueca\u201d e \u201cMulher brava\u201d, por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong><a href=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/rodrigo-chenta2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1880 alignright\" src=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/rodrigo-chenta2-300x217.jpg\" alt=\"rodrigo-chenta2\" width=\"300\" height=\"217\" srcset=\"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/rodrigo-chenta2-300x217.jpg 300w, http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/rodrigo-chenta2-1024x741.jpg 1024w, http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/rodrigo-chenta2.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O que s\u00e3o os jogos de improvisa\u00e7\u00e3o e como isso funciona no trabalho de\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>voc\u00eas?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Os jogos s\u00e3o brincadeiras saud\u00e1veis. O guitarrista Olmir Stocker\u00a0(Alem\u00e3o) sempre me dizia que a improvisa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma brincadeira. Cada jogo tem\u00a0um regra bem espec\u00edfica. No caso da m\u00fasica \u201cCrossfades\u201d, jogo criado pelo Ivan, a\u00a0brincadeira \u00e9 tocar literalmente qualquer complexo sonoro de prefer\u00eancia tenso e\u00a0trabalhando sempre as din\u00e2micas de crescendo\u2020e diminuendo\u00a8\u2020onde enquanto uma\u00a0guitarra atinge o pico de intensidade e come\u00e7a a diminuir o volume a outra inicia e\u00a0faz o mesmo processo. Tudo isso foi executado na m\u00e3o e n\u00e3o no processo de\u00a0mixagem como alguns poderiam imaginar. Na m\u00fasica \u201cQuartais\u201d criei a regra de\u00a0usar somente acordes constru\u00eddos com intervalos de quarta seja justa ou\u00a0aumentada e criar per\u00edodos musicais contrastantes. Na \u201cAnt\u00edtese\u201d, faixa t\u00edtulo, eu\u00a0toco uma tese e o Ivan toca a anti tese. Quando criei este jogo propus fazermos\u00a0contrastes de nota, ritmo, timbre, andamento, textura, t\u00e9cnicas estendidas,\u00a0din\u00e2mica, etc. Isso n\u00e3o tem nada a ver com a m\u00fasica \u201cContrastes\u201d que n\u00e3o \u00e9 um\u00a0jogo e sim improvisa\u00e7\u00e3o livre. Quando digo livre n\u00e3o \u00e9 no sentido de g\u00eanero j\u00e1 que \u00e9\u00a0poss\u00edvel identificar alguns idiomas nela. \u00c9 livre no sentido de ser criada no momento\u00a0da execu\u00e7\u00e3o sem a preocupa\u00e7\u00e3o com forma, tonalidade, andamento, r\u00edtmo, chorus\u00a0ou qualquer outro elemento estrutural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Qual \u00a0equipamentos voc\u00eas usaram nas grava\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Em ambos os discos, utilizei apenas uma guitarra ac\u00fastica que\u00a0possui corpo de m\u00e9dia espessura, equipada com um encordoamento liso de medida\u00a0.011\u201d. O disco foi gravado inteiro utilizando somente o humbucker do bra\u00e7o. N\u00e3o\u00a0costumo utilizar os \u201ctones\u201d da guitarra fechados, como muitos guitarristas de jazz\u00a0costumam fazer. Sempre preferi uma sonoridade mais aberta. Na maior parte do\u00a0tempo utilizei palhetas bem grossas, entretanto em outros momentos toquei\u00a0utilizando a t\u00e9cnica do \u201cpizzicato\u201d. No primeiro trabalho gravado,\u201cNovos Caminhos \u201d,\u00a0fizemos 3 sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o, e em duas delas gravei com um amplificador\u00a0valvulado, e em uma delas com um amplificador transistorizado. No segundo,\u00a0\u201cAnt\u00edtese\u201d, usei somente um amplificador transistorizado de 130w com dois falantes\u00a0de 12\u201d.<\/p>\n<p>Procurei tamb\u00e9m, de alguma maneira, diferenciar a concep\u00e7\u00e3o dos equipamentos\u00a0utilizados para o duo quando comparados com os equipamentos que costumo\u00a0utilizar quando toco e ensaio com o \u201cIvan Barasnevicius Trio\u201d. Neste \u00faltimo, uso\u00a0guitarras de corpo s\u00f3lido, al\u00e9m de um multiefeito\u00a0onde costumo programar chorus,\u00a0phaser, delay e alguns tipos de distor\u00e7\u00e3o e simula\u00e7\u00e3o de cabe\u00e7otes e caixas de\u00a0som. Devo dizer que gosto bastante desta diferen\u00e7a entre os trabalhos, pois posso\u00a0explorar diferentes aspectos em cada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Usei uma guitarra ac\u00fastica (hollow body) com corpo de 16\u201d com o\u00a0captador humbucker no grave (bra\u00e7o) e tonalidade na metade. Nesta grava\u00e7\u00e3o atuei\u00a0com encordoamento 0.13 liso (flat) com a\u00e7\u00e3o de cordas altas para ter a pegada e\u00a0timbre que almejava no momento. Em rela\u00e7\u00e3o ao amplificador gravei com um\u00a0transistor de um autofalante\u00a0de 12 polegadas e usando palhetas de 1.11mm de\u00a0espessura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Voc\u00eas s\u00e3o patrocinados por alguma marca?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Tenho o apoio do luthier Renato Olivieri, que faz a\u00a0manuten\u00e7\u00e3o das minhas guitarras, baixos e viol\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Atualmente n\u00e3o temos a apoio de nenhuma marca seja de\u00a0instrumento, equipamento ou acess\u00f3rio. Estamos abertos para negocia\u00e7\u00f5es desde\u00a0que seja uma troca justa para todos os envolvidos. Infelizmente \u00e9 muito dif\u00edcil\u00a0conseguir este tipo de apoio. O que temos e somos gratos por isso \u00e9 o apoio da\u00a0escola de m\u00fasica Venegas Music que sempre nos ajuda cedendo equipamentos e\u00a0espa\u00e7os para ensaios e concertos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>O que \u00e9 o Venegas Music TV? Voc\u00ea pode nos contar um pouco desse\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>projeto?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> A Venegas Music TV \u00e9 um programa de entrevistas com\u00a0m\u00fasicos. Sua primeira fase, ao vivo, foi numa emissora chamada Justtv e foi\u00a0apresentado por mim entre julho de 2008 e julho de 2012. Certamente foi uma\u00a0experi\u00eancia muito importante para meus estudos, j\u00e1 que pude aprender muito<\/p>\n<p>pesquisando sobre a carreira dos entrevistados e tamb\u00e9m tocando com boa parte\u00a0deles. Durante os 4 anos de programa, pude tocar com m\u00fasicos como Heraldo do\u00a0Monte, Arismar do Esp\u00edrito Santo, Itamar Cola\u00e7o, Andreas Kisser, Djalma Lima,\u00a0Luciano Magno, Nuno Mindelis, Nelson Faria, entre muitos outros. Em 2016,\u00a0voltamos \u00e0 ativa, com algumas altera\u00e7\u00f5es para melhorar a qualidade e resolver\u00a0antigos problemas. Por\u00e9m, a ess\u00eancia do programa se mant\u00e9m: entrevistar grandes\u00a0m\u00fasicos, promover jam sessions e ajudar a divulgar m\u00fasica autoral de qualidade.<\/p>\n<p>Para visualizar as entrevistas da nova temporada, acesse\u00a0http:\/\/www.youtube.com\/ibarasnevicius<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Como \u00e9 ser artista no Brasil, principalmente tocando m\u00fasica\u00a0instrumental?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Existem muitas dificuldades. Para qualquer m\u00fasico que voc\u00ea\u00a0perguntar, certamente ele poder\u00e1 citar algumas vezes onde n\u00e3o foi bem tratado\u00a0onde tocou, e isso pode acontecer de diferentes formas: desde um contratante que\u00a0n\u00e3o sabe fazer a sua parte e n\u00e3o divulga o evento e quer que as pessoas adivinhem\u00a0que vamos tocar naquele espa\u00e7o, at\u00e9 aquele cidad\u00e3o que vai at\u00e9 no show pra ficar\u00a0conversando na frente do palco, de costas pra voc\u00ea, em voz alta. No primeiro caso,\u00a0trata-se\u00a0de falta de profissionalismo, no segundo, falta de educa\u00e7\u00e3o mesmo, ou\u00a0seja, dois graves problemas muito frequentes e que assolam o meio musical. Mas\u00a0estas experi\u00eancias ruins nos mostram onde n\u00e3o devemos colocar os p\u00e9s nunca\u00a0mais.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Ser artista no Brasil tem v\u00e1rias desvantagens, pois por mais\u00a0estranho que pare\u00e7a e pensando na metr\u00f3pole de S\u00e3o Paulo, faltam lugares que\u00a0cedam o espa\u00e7o para este tipo de manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica. O problema de alguns\u00a0bares, por exemplo \u00e9 que dificilmente existe uma rela\u00e7\u00e3o de igualdade e respeito.<\/p>\n<p>Tem lugar que enquanto acontece o concerto ligam a TV. Isso \u00e9 um absurdo e\u00a0grande falta de respeito sem contar que no momento do som o falat\u00f3rio das\u00a0pessoas sem nenhuma educa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 tocamos em algumas faculdades de m\u00fasica\u00a0onde vimos o improp\u00e9rio de alguns alunos e uma \u201ccoordenadora\u201d com o notebook\u00a0aberto enquanto nos apresent\u00e1vamos. O fato de isso acontecer n\u00e3o impede que\u00a0continuemos com nossa arte. Penso que o ideal \u00e9 criar espa\u00e7os respeitosos e\u00a0procurar parcerias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Voc\u00eas\u00a0est\u00e3o trabalhando em outros projetos? Tem outras coisas\u00a0acontecendo? O que podemos esperar para o futuro?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Al\u00e9m do terceiro trabalho do \u201cRodrigo Chenta e Ivan\u00a0Barasnevicius Duo\u201d, estou preparando, junto com D\u00e9 Bermudez e Thiago Costa, o\u00a0terceiro disco do \u201cIvan Barasnevicius Trio\u201d. A princ\u00edpio, este ser\u00e1 um trabalho mais\u00a0ousado e experimental, onde utilizaremos materiais menos usuais nas composi\u00e7\u00f5es\u00a0e teremos uma \u00eanfase maior nas improvisa\u00e7\u00f5es, utilizando menos conven\u00e7\u00f5es e\u00a0deixando os arranjos mais abertos. Certamente, ser\u00e1 um disco bem diferente dos\u00a0dois anteriores.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Ainda neste segundo semestre de 2016 gravaremos o terceiro\u00a0\u00e1lbum do duo que ter\u00e1 uma proposta diferente dos anteriores. Exploraremos temas\u00a0maiores e abusaremos de su\u00edtes com v\u00e1rios movimentos. Ter\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o\u00a0maior quanto ao timbre no sentido de escolher os lugares da guitarra que soam\u00a0mais interessantes em cada trecho das pe\u00e7as e de uma forma geral haver\u00e1 uma\u00a0sonoridade mais violon\u00edstica na guitarra.<\/p>\n<p>Paralelamente ao duo gravei um EP com duas m\u00fasicas com uma proposta bastante\u00a0experimental e com car\u00e1ter muito contempor\u00e2neo. Est\u00e1 na fase de mixagem e ser\u00e1\u00a0disponibilizado gratuitamente no formato digital com \u00e1udio, encartes em alta\u00a0resolu\u00e7\u00e3o e partitura.<\/p>\n<p>In\u00edcio de 2017 gravarei um full\u2020\u00e1lbum\u2020solo com m\u00fasicas regionais brasileiras que\u00a0escrevi em tempos passados e outras mais atuais. Estou no processo de arranjo\u00a0das pe\u00e7as que estar\u00e3o em g\u00eaneros como bai\u00e3o, xote, ijex\u00e1, samba, guar\u00e2nia, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>O que voc\u00eas diriam pra quem est\u00e1 come\u00e7ando a tocar guitarra e tem o\u00a0sonho de ser m\u00fasico? Conte para gente um pouco da sua hist\u00f3ria com a\u00a0m\u00fasica.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Penso que o principal que o aluno deva ter \u00e9 procurar estudar\u00a0o instrumento com seriedade e foco. Atualmente, \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil as pessoas\u00a0se concentrarem, j\u00e1 que o n\u00famero de coisas que tiram a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 grande demais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m penso ser essencial evitar os atalhos e buscar estudar os assuntos com\u00a0calma, profundidade e buscando uma orienta\u00e7\u00e3o adequada. Acredito ser de grande\u00a0relev\u00e2ncia o estudante buscar fazer as coisas na ordem certa: procurar tocar bem\u00a0tem que ser uma preocupa\u00e7\u00e3o anterior a se ter uma produ\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica e\u00a0equipamentos caros.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minha hist\u00f3ria, comecei a estudar m\u00fasica em 1989, aos 10 anos, e\u00a0passei por alguns professores particulares. Tive algumas bandas, e posteriormente\u00a0gravei nos anos 1990 com as bandas Violent Hate e Cisma, e tamb\u00e9m com o grupo\u00a0Grooveria Brasil no come\u00e7o dos anos 2000.<\/p>\n<p>Me formei em 2003 pela FAAM\/FMU SP,\u00a0onde estudei com professores como\u00a0Paulo Tin\u00e9, Zeli, Aida Machado, Marisa Ramirez, Orlando Mancini, Paola\u00a0Picherzky, Abel Rocha e outros. Estudei tamb\u00e9m arranjo com o trombonista Vittor\u00a0Santos e tamb\u00e9m baixo el\u00e9trico com Nilton Wood. Entre 2003 e 2006 fiz parte a<\/p>\n<p>Orquestra Popular Brasileira, sob a Reg\u00eancia de Paulo Tin\u00e9, atuando como\u00a0violonista e tamb\u00e9m arranjador.<\/p>\n<p>Sou coordenador did\u00e1tico do CENTRO MUSICAL VENEGAS MUSIC, lecionando\u00a0tamb\u00e9m guitarra, baixo el\u00e9trico, harmonia e improvisa\u00e7\u00e3o. Em 2006, tive meu\u00a0m\u00e9todo &#8220;Harmonia para Contrabaixo&#8221; publicado pela editora HMP, sendo que o\u00a0mesmo fez parte de uma cole\u00e7\u00e3o chamada \u201cToque de Mestre\u201d. Fiz parte da revista\u00a0COVER BAIXO publicando mensalmente uma coluna sobre harmonia e\u00a0improvisa\u00e7\u00e3o por quatro anos. Em 2009 lancei o livro &#8220;Jazz: Harmonia e\u00a0Improvisa\u00e7\u00e3o&#8221; pela editora Irm\u00e3os Vitale.<\/p>\n<p>Com meu grupo de m\u00fasica instrumental &#8220;Ivan Barasnevicius Trio\u201d lancei dois discos\u00a0digitais: \u201cS\u00edntese\u201d (2012) e \u201cContinuum\u201d (2014). Em 2015 fizemos o single \u201cMinuano\u201d,\u00a0com um arranjo bem espec\u00edfico para este conhecido tema de Pat Metheny. Com o\u00a0\u201cRodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius Duo\u201d fiz dois discos tamb\u00e9m digitais: \u201cNovos\u00a0Caminhos\u201d (2015) e \u201cAnt\u00edtese\u201d (2016).<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> Penso que deva existir seriedade, pois m\u00fasica \u00e9 como qualquer\u00a0outra \u00e1rea e necessita de muito estudo. Ser m\u00fasico \u00e9 uma coisa linda e sempre\u00a0apoiarei quem assim o quiser ser, mas ser m\u00fasico profissional \u00e9 outra coisa. Se\u00a0quiser trabalhar com isso dever\u00e1 estudar e definir que \u00e1rea quer seguir, pois existem\u00a0v\u00e1rias como doc\u00eancia, editora\u00e7\u00e3o de partituras, m\u00fasico de concerto, m\u00fasico de\u00a0est\u00fadio, etc. O problema \u00e9 que na realidade brasileira o profissional tem que fazer\u00a0de tudo um pouco para sobreviver e isso pode defasar algumas \u00e1reas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0outras.<\/p>\n<p>Comecei na m\u00fasica aos 14 anos e ao decidir trabalhar como m\u00fasico profissional\u00a0nunca tive o apoio familiar, o que em vez de ajudar s\u00f3 piorou o dif\u00edcil processo na\u00a0carreira musical. Existe muita informa\u00e7\u00e3o errada e preconceitos. Hoje quem n\u00e3o me\u00a0apoiava no passado entendeu que \u00e9 poss\u00edvel atuar nesta profiss\u00e3o, pois estou muito\u00a0melhor em rela\u00e7\u00e3o ao conforto na vida do que estes que menosprezavam minha\u00a0escolha pela \u00e1rea.<\/p>\n<p>Me formei na antiga ULM (Universidade Livre de M\u00fasica) e na FASCS (Funda\u00e7\u00e3o\u00a0das Artes de S\u00e3o Caetano do Sul). Passei por festivais de m\u00fasica como os de\u00a0Ourinhos, S\u00e3o Caetano do Sul, etc. Nos estudos acad\u00eamicos fui aluno especial para\u00a0o mestrado em institui\u00e7\u00f5es como UNESP e USP durante dois anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Onde o disco pode ser encontrado? Voc\u00eas t\u00eam apresenta\u00e7\u00f5es marcadas?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Ivan Barasnevicius:<\/strong> Nossos discos, sempre no formato digital, podem serencomendados com a gente diretamente atrav\u00e9s do nosso site. Mas estamos\u00a0tamb\u00e9m em um grande n\u00famero de lojas virtuais, como Amazon, Cd Baby, Itunes,\u00a0entre outras. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es do duo, costumamos sempre divulgar\u00a0em nossa p\u00e1gina no facebook.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>E\u00a0para quem quiser saber mais sobre o trabalho e a carreira de voc\u00eas?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Rodrigo Chenta:<\/strong> \u00c9 poss\u00edvel obter mais informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do nosso site em\u00a0www.rodrigochentaeivanbarasneviciusduo.com e nas redes sociais que o duo\u00a0participa. Tamb\u00e9m cada um dos integrantes do duo possuem sites pr\u00f3prios e perfis\u00a0em redes sociais como Facebook, Youtube, Soundclound, Linkedin, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fitvids-video\"><iframe loading=\"lazy\" width=\"660\" height=\"371\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LSAsRQyUL8Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2016, lan\u00e7aram o \u00e1lbum &#8220;Ant\u00edtese&#8221;, que al\u00e9m de aprofundar algumas propostas do primeiro trabalho, como a diversidade de timbres<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1872,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,24],"tags":[398,395,397,93,160,394,358,396],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1862"}],"collection":[{"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1862"}],"version-history":[{"count":12,"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1885,"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1862\/revisions\/1885"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1872"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/guitarexperience.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}